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Prostatectomia radical hoje: curar com segurança e preservar o que faz diferença no dia a dia

A prostatectomia radical sempre teve um objetivo claro: remover o câncer. O que mudou muito nos últimos anos é que, além do controle oncológico, a cirurgia passou a perseguir com mais método um segundo objetivo — igualmente decisivo para o paciente: preservar função.

E aqui vale dizer sem rodeios: continência urinária e função sexual não são “detalhe técnico”. São fatores que influenciam autoestima, vida social, relacionamento, disposição para atividade física e até saúde mental no longo prazo.

O tripé da prostatectomia radical moderna

Hoje, a meta é equilibrar três pontos:

  1. Controle do câncer (segurança oncológica)

  2. Preservação da continência urinária

  3. Preservação da função erétil

Esse “equilíbrio” não é slogan: é decisão cirúrgica real, feita caso a caso, baseada em risco do tumor, anatomia, exames (principalmente ressonância), biópsia, PSA e expectativa funcional do paciente. Diretrizes internacionais reforçam que os efeitos colaterais funcionais (incontinência e disfunção erétil) são relevantes e devem ser discutidos de forma franca antes do tratamento.

Por que a função é tão impactada? Um pouco de anatomia (sem “mediquês”)

Continência urinária

A continência depende de um conjunto de estruturas: esfíncter externo (músculo que segura a urina), colo da bexiga, suporte do assoalho pélvico e reconstruções feitas na cirurgia. Durante a prostatectomia, essas estruturas precisam ser respeitadas e reconstruídas com precisão para facilitar a recuperação do “controle da urina” no pós-operatório. Há inclusive revisões mostrando que ajustes técnicos e reconstruções podem melhorar taxas de continência após prostatectomia robótica.

Função erétil

A ereção depende principalmente dos feixes neurovasculares que passam muito próximos da próstata. A técnica de preservação dos nervos (nerve-sparing) busca manter esses feixes quando isso é oncologicamente seguro — e isso pode fazer grande diferença no retorno da potência, especialmente em pacientes mais jovens e com boa função erétil prévia.

Onde a cirurgia robótica entra nessa evolução?

A cirurgia robótica não “faz milagre” por si só — mas ela entrega ferramentas que ajudam o cirurgião a ser mais preciso:

  • Visão ampliada e detalhada de planos anatômicos delicados

  • Movimentos finos e estáveis, com maior controle em espaços pequenos

  • Facilita a dissecção cuidadosa ao redor de nervos, vasos e esfíncter

Na literatura, comparações entre técnicas mostram que, em média, os resultados funcionais (continência e potência) tendem a ser comparáveis, com vantagem pequena para a robótica em alguns cenários, e benefícios claros em parâmetros perioperatórios (como menor sangramento).

Além disso, a robótica permitiu o refinamento (e popularização) de estratégias cirúrgicas focadas em função, como:

  • Nerve-sparing com melhor seleção de pacientes (reduzindo risco oncológico quando bem indicado)

  • Técnicas de preservação anatômica (ex.: abordagens e reconstruções que priorizam suporte e esfíncter)

O que determina “bons resultados” na vida real?

Mesmo com técnica refinada, o resultado final depende de uma soma de fatores:

  • Situação do tumor (localização e risco) — porque nem sempre dá para poupar nervos com segurança

  • Função antes da cirurgia (continência e ereção prévias)

  • Idade e comorbidades (diabetes, tabagismo, doenças vasculares)

  • Experiência do time cirúrgico e volume do serviço

  • Reabilitação no pós-operatório (fisioterapia pélvica e reabilitação sexual quando indicada)

Em resumo: remover o câncer é o começo — preservar vida é o objetivo maior

A prostatectomia radical evoluiu porque amadureceu a visão do que é sucesso: não basta tirar o tumor com segurança; é preciso, sempre que possível, preservar continência e função erétil — com técnica, seleção correta e reabilitação estruturada.

No fim, é isso: controle oncológico + continência + função erétil. Esse é o compromisso com qualidade de vida.

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