Quando falamos em câncer de próstata, é natural — e absolutamente legítimo — que muitos homens se preocupem com a função sexual após a cirurgia. Essa preocupação não é exagero nem tabu: ela faz parte da qualidade de vida e do bem-estar no longo prazo.
A próstata está localizada em uma região anatômica extremamente complexa. Muito próxima a ela passam estruturas delicadas e essenciais, especialmente os feixes neurovasculares, responsáveis pelo mecanismo da ereção. Além disso, músculos e vasos que participam da continência urinária também estão concentrados nessa mesma área. Por isso, qualquer intervenção cirúrgica nesta região exige precisão absoluta.
Durante muitos anos, a prostatectomia radical foi realizada predominantemente por via aberta. Apesar de eficaz no controle da doença, essa abordagem apresenta limitações importantes do ponto de vista técnico. A visualização das estruturas era restrita, o campo cirúrgico menos detalhado e a dissecção ao redor dos nervos exigia manobras mais amplas. Em um cenário como esse, milímetros fazem diferença real.
A introdução da cirurgia robótica mudou de forma significativa esse contexto. Com a visão tridimensional ampliada e com instrumentos que reproduzem movimentos finos, estáveis e extremamente precisos, o cirurgião consegue identificar melhor os planos anatômicos e trabalhar com mais delicadeza ao redor dos nervos responsáveis pela função erétil.
Isso não significa que todos os pacientes terão preservação da função sexual — esse resultado depende de vários fatores, como estágio do tumor, idade, função prévia e possibilidade oncológica de preservação dos nervos. O ponto central é que, quando a preservação é possível do ponto de vista do câncer, a cirurgia robótica oferece condições técnicas mais favoráveis para que isso seja feito com segurança.
É importante reforçar que o primeiro objetivo da cirurgia sempre será o controle oncológico, ou seja, retirar o tumor de forma adequada e segura. A preservação funcional nunca deve comprometer esse princípio. No entanto, a cirurgia moderna busca um equilíbrio: tratar a doença sem perder de vista quem é o paciente e como será sua vida após o tratamento.
No fim das contas, a evolução da prostatectomia radical não representa apenas um avanço tecnológico. Ela reflete uma mudança de mentalidade: sair de uma abordagem focada exclusivamente na retirada do câncer para uma visão mais ampla, que inclui continência urinária, função sexual e qualidade de vida como parte do sucesso do tratamento.




