Durante exames de imagem, como ultrassonografia ou tomografia, é comum encontrarmos alterações nos rins descritas como “cistos renais”. Esses cistos são pequenas formações cheias de líquido, geralmente benignas e muito frequentes, especialmente com o passar da idade. Na maioria das vezes, tratam-se de cistos simples, que não causam sintomas nem exigem nenhum tipo de tratamento ou acompanhamento rigoroso.
No entanto, nem todo cisto é inofensivo. Alguns podem apresentar características mais complexas – como paredes espessas, septos internos, calcificações ou captação de contraste – e, nesses casos, precisamos investigar melhor, pois há risco de se tratar de um tumor renal cístico.
Como diferenciamos um cisto simples de uma lesão suspeita?
A diferenciação é feita através de exames de imagem de maior precisão, como tomografia computadorizada com contraste ou ressonância magnética. Esses métodos permitem analisar a estrutura interna do cisto e a presença (ou não) de tecido sólido, que é um sinal de alerta para malignidade.
Para padronizar essa avaliação, usamos a Classificação de Bosniak, que divide os cistos renais em categorias (I a IV) conforme o risco de malignidade:
- Bosniak I e II: lesões benignas, não exigem tratamento.
- Bosniak IIF: lesões com características intermediárias, que devem ser acompanhadas periodicamente.
- Bosniak III e IV: maior chance de se tratar de tumor maligno; nesses casos, o tratamento é geralmente indicado.
Quando o cisto precisa ser tratado
A maioria dos cistos renais simples não requer nenhum tipo de intervenção. Já os cistos complexos, classificados como Bosniak III ou IV, podem exigir cirurgia parcial do rim (nefrectomia parcial) ou, em casos mais extensos, nefrectomia total. Com os avanços da cirurgia robótica e laparoscópica, hoje conseguimos realizar esses procedimentos com alta precisão, menor dor e rápida recuperação, preservando o máximo de tecido renal possível.
O papel do acompanhamento
Mesmo cistos considerados benignos podem aumentar de tamanho ou se modificar ao longo do tempo. Por isso, o acompanhamento periódico com o urologista e a realização de exames de imagem de controle são fundamentais para garantir que nenhuma alteração passe despercebida.




